Enquanto a imprensa celebra a ocupação policial-militar do Complexo do Alemão, na Zona Norte carioca, como uma grande vitória contra o crime organizado, algumas vozes se manifestam com críticas (de diferentes graus de contundência) à operação montada pelo governo do estado com apoio da União e à cobertura por parte da mídia.

Não é o caso das críticas feitas por políticos de oposição a essas esferas de governo, sempre marcadas por certo despeito pelo que possa ser percebido como sucesso do adversário. As críticas em questão partem de acadêmicos e especialistas que não compartilham com a visão oficial de “vitória na batalha do Alemão”.

Um desses críticos é o antropólogo e cientista político Luiz Eduardo Soares, que chefiou a Secretaria de Segurança do Estado do Rio, entre 1999 e 2000, e a Secretaria Nacional de Segurança Pública, entre janeiro e outubro de 2003. Em artigo publicado em seu blog, Soares comenta de forma ácida a cobertura da imprensa, que classifica como cíclica: “atenção à segurança nas crises agudas e nenhum investimento reflexivo e informativo realmente denso e consistente, na entressafra, isto é, nos intervalos entre as crises.” Embora elogie o projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), o antropólogo ressalta que um dos graves problemas da segurança no Rio é a ausência de polaridade entre bandidos e policiais, dada a participação de agentes da lei corrompidos em praticamente todas as atividades criminosas.

Numa linha ainda mais dura, o sociólogo José Cláudio Souza Alves, Pró-reitor de Extensão da UFRRJ, afirma, em artigo no site da revista “Carta Capital”, que os atuais incidentes no Rio são apenas mais um capítulo numa rearrumação da geopolítica do crime na cidade. De um lado estariam as milícias – grupos armados formados, em sua maioria, por policiais e bombeiros – em aliança com uma facção de traficantes de drogas; do outro, a antiga facção criminosa hegemônica, que estaria perdendo espaço.  Alves questiona: “Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos esquecemos que sua única finalidade é a hegemonia do mercado do crime no Rio de Janeiro?”

E você, concorda com as crítica à ação no Complexo do Alemão e a cobertura que a imprensa tem dado a essa operação?

Especialistas criticam a ocupação do Complexo do Alemão e a cobertura da imprensa

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