Em cada cem brasileiros entre 15 e 64 anos, 9,7 não sabem ler ou escrever – o que equivale a pouco mais de 14 milhões de pessoas. Esse número chocante foi revelado por um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão ligado à Presidência da República, que comparou dados entre os anos de 2004 e 2009. Embora alarmante, o relatório mostra um avanço, pois, no início da pesquisa, o número de analfabetos acima de 15 anos chegava a 11,5%.

O estudo do Ipea deixa claras as profundas desigualdades regionais brasileiras. Enquanto a Região Sul apresentava um índice de analfabetismo adulto de 5,5%, o Nordeste liderava esse triste ranking com 18,7% de adultos analfabetos. Na distribuição por estados, Alagoas está na pior situação, com 20,8% de adultos analfabetos. Embora a Região Norte também apresentasse um índice geral ruim (10,6%), o estado com o menor percentual de adultos que não sabem ler nem escrever é o Amapá, com apenas 1,5% da população nessa situação – uma impressionante redução de 66% em relação aos dados de 2004.

Agora, esses números se referem a analfabetos propriamente ditos, indivíduos incapazes sequer de escrever o próprio nome ou identificar letras e palavras. O Ipea mensurou também os chamados analfabetos funcionais, aqueles que, embora formalmente alfabetizados, não são capazes de expressar por escrito ou compreender uma informação que leem. Ao todo, o Brasil tem hoje 10,7% de seus adultos nessa situação. Desta vez, o pior índice está no Norte (12,6%) e o melhor – ou menos ruim -, no Sudeste (9,6%).

O Sudeste tem também o menor índice de adultos com menos de quatro anos de estudo (15,3%), contra o Nordeste, com estratosféricos 31,1%. No país, a média nessa categoria é de 20,4%.

Do ponto de vista racial, o relatório do Ipea dá combustível para muitas discussões. Enquanto o analfabetismo adulto entre brancos caiu de 7,2% para 5,9%, entre negros e pardos, a redução foi de 16,3% para 13,4%. Como o relatório ressalta, embora a queda de pontos percentuais entre o último universo tenha sido maior, “não houve diminuição relativa da distância que separa esses dois grupos étnicos”

É importante ressaltar que todos os índices analisados pelo Ipea apresentaram queda entre 2004 e 2009. Está longe de ser o ideal (ou mesmo aceitável), mas já é algum avanço.

Veja aqui a íntegra do estudo do Ipea.

Segundo o Ipea, um em cada dez brasileiros entre 15 e 64 anos não sabe ler

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