A eterna polêmica da relação entre o funk e a criminalidade ganhou novo gás com a prisão de cinco MCs dos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte carioca. As prisões foram resultado de dez meses de investigações sobre a participação dos suspeitos em chamados “proibidões”, CDs com raps de apologia ao tráfico, elogios a bandidos e facções criminosas e incentivo ao uso de armas e a ataques a policiais.
Os MCs Smith, Tikão, Max e Frank foram presos na quarta-feira (15) por policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI); no dia seguinte, Anderson Romualdo Paulino da Silva, o MC Dido, se apresentou à delegacia. Em vídeo apresentado pela polícia, Frank e Ticão, que são irmãos, apareciam em um baile no Morro do Alemão, após a ocupação do local pelas forças de segurança, cantando um funk dizendo que Fabiano Atanázio, o FB, antigo chefe do tráfico na Vila Cruzeiro, estaria refugiado na Rocinha.
Segundo a delegada Helen Sardenberg, da DRCI, MC Smith seria também o aliciador de jovens das comunidades para a quadrilha. No dia 1º de janeiro, ele chegou a ser detido por posse de drogas e estupro de vulnerável, ao ser flagrado com uma menor de 13 anos e portando cerca de 30g de maconha. Mas acabou liberado porque a Justiça não atendeu ao pedido de prisão temporária.
Na cadeia, os quatro primeiros detidos foram filmados improvisando um funk em que debocham da ação das polícias e das acusações. Clique aqui e veja o vídeo na página do jornal “O Globo”.
O cerco aos funkeiros “proibidões” começara na terça-feira (14), com a prisão, no Leblon, de Everaldo de Almeida da Silva, o MC Galo. Segundo policiais da 14ª DP, Galo aparece em vídeos fazendo apologia ao crime e também estaria ligado à receptação de objetos roubados.
Mas, afinal, é possível separar o funk do crime? Dê sua opinião.







Comentários
Será que uma “Musica” tão ruim como os proibidões pode influenciar alguem a usar drogas ou formar no trafico?
Julio
“Ruim” é uma questão estética subjetiva. Pessoalmente, eu que chamar funk de “ruim” já é elogiar demais, mas tem um público que o consome avidamente e se identifica culturalmente com ele. Mais do que influenciar alguém a usar drogas, o que a polícia alega é que esses “proibidões” se apropriam dessa identidade cultural para propagar uma imagem do tráfico como sendo “nós” contra “eles” (a sociedade do asfalto), valorizar a imagem do traficante e estimular o confronto com a própria polícia.
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