A queda contínua do desemprego no país há anos é um fato para lá de celebrado, mas qual o peso da escolaridade na hora de cavar seu espaço no mercado de trabalho? Dados do IBGE publicados pelo “Globo” mostram que o peso é grande. Enquanto a taxa de desemprego em geral em seis regiões metropolitanas estudadas é de 6,7%, o percentual para quem concluiu uma faculdade cai a menos da metade: 3,1%. Outro número muito animador revela que, nesses mesmos lugares, o número de trabalhadores com nível superior saltou de 3,7 milhões em 2002 para 7,6 milhões no ano passado, o que equivale a 34,1% da população economicamente ativa dessas regiões.

Porém, como diz o ditado, estatística, a exemplo do biquíni, mostra tudo, menos o essencial. Como a própria reportagem ressalta, a indicação de que 96,9% das pessoas com nível superior estão trabalhando não significa que estejam trabalhando dentro da área na qual se formaram ou mesmo exercendo funções que exigiriam uma faculdade. Não dá para saber quantos advogados dirigem táxis, quantos pedagogos atendem em loja nem quantos jornalistas animam festinha de criança.

Existem áreas, como as de tecnologia, nas quais as empresas enfrentam escassez de mão de obra qualificada, mas essa demanda ainda não é universal. Além disso, a qualidade do ensino também é um alvo de críticas constantes. Num país em que já se flagrou analfabetos passando em provas para ingresso em faculdades particulares, se formar nem sempre significa ter uma formação.

Questionamentos de qualidade à parte, a constatação de que a escolaridade deixa a pessoa em melhores condições na disputa por um emprego torna ainda mais séria a necessidade de o Brasil enfrentar o desafio do analfabetismo.  Afinal, como mostram dados do Ipea, em cada cem brasileiros, 9,7 não sabem ler ou escrever. Veja no gráfico abaixo o quanto essa situação ainda é preocupante no país.

(clique para ampliar) infográfico: Igor Iaso

Estudo mostra que o desemprego é menor para quem tem nível superior Igor Iaso

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