Olhar, chegar, conversar, tocar, tentar beijar, beijar, tentar abraçar, abraçar. Vamos sair daqui, vamos para outro lugar, vamos ficar um pouco a sós. Ficar um pouco a sós. Encostar, roçar, sentir. Tirar a roupa, as peças uma a uma. Mais beijos, mais toque, mais pele. Por a camisinha, meter, gozar. Ter a consciência de que cada um desses momentos pode ser interrompido por um não-vírgula (que é aquela forma negativa que apenas quer dizer “tente outra vez”) ou mesmo por um não-ponto (que é aquela forma negativa que significa literalmente “tente outro dia”).

No jogo da sedução, o festival de segredos que envolvem homens e mulheres é talvez o tempero mais interessante da brincadeira. Mas há um par de informações que, colocadas de forma direta, podem facilitar a vida daqueles que se veem envolvidos nesta atividade tão saborosa, ao mesmo tempo simples e complicada da vida de todos e todas nós.

Antes de continuar lendo esse texto tenha sempre em mente duas afirmações fundamentais:

  1. Sempre que começamos qualquer frase com “todos os homens” ou com “todas as mulheres”, todo o restante da sentença está comprometido, visto que as expressões são originalmente mentirosas;
  2. Este que vos escreve não entende absolutamente nada sobre mulheres – mas gosta de especular.

Prerrogativa um: o bicho-homem tem menos dor de cabeça quando finalmente descobre (e admite) que quem manda mesmo é a moça. Que quando o camarada chega para conversar, a senhorita já resolveu se vai dar conversa, se vai beijar e se vai deixar que o rapaz a leve, digamos, para um lugar mais confortável. Não importa o approach do cara. Seja lá qual for a forma de chamar a atenção. Entenda: a do batom já sabe o que quer antes mesmo de você abrir a boca.

As exceções (que comprovam a regra) são raras, como mostram antigas e recentes pesquisas feitas com amigas. Dificilmente o aprendiz de Don Juan vai demover sua interlocutora da ideia de mandá-lo passear. Pelo contrário. “O que pode acontecer é o cara falar uma besteira e fazer a gente desistir de ficar”, tascou uma das informantes desse pretensioso escriba.

Paciência ajuda. Quando (e se) ela quiser escrever, vai escrever. Quando quiser telefonar, vai telefonar. Quando quiser te encontrar, pode ficar certo de que vai encontrar. Quando quiser te pegar, beijar, jogar na parede e chamar de lagartixa, dificilmente você vai conseguir escapulir.

A situação piora (ou melhora) quando estamos lidando com sujeitas que já descobriram que podem pegar qualquer sujeito. É como diz um bom amigo, frequente vítima dos encantos femininos: “Quando homem e mulher começam a conversar, já está 1×0 pra ela”.

O que resta, então, ao desejoso conquistador? Saber ouvir conta bons pontos, mas não é tão fácil quanto parece. Olhar pra a falante donzela enquanto pensa em futebol nem sempre funciona. Fatalmente vai fazer você perder o tempo de concordar e sorrir de quando em quando. E por falar em rir, anote para não esquecer: para muitas delas, uma gargalhada é tão importante que um orgasmo.

E o cavalheirismo? Tudo bem que ela é moderna, feminista, libertária, descolada e independente. Mas abrir a porta do carro (ou ajudar a subir no ônibus), usar bem um saca-rolhas e sugerir os bons petiscos do restaurante ou do boteco são habilidades que valem a pena conservar.

Até porque quando a moça quiser dirigir (ou pagar a passagem do busão), escolher o vinho, pedir aquele prato bacana ou mesmo pagar a conta, você vai saber.

E vai gostar. E ela vai adorar saber que você vai gostar.

Dois dedos de prosa sobre o que os homens deveriam (ou não) saber sobre as mulheres ivan moraes filho

Ivan Moraes Filho é escrevedor e não tem opinião formada sobre tudo. E as que tem ainda pode mudar.

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