O racismo é uma merda. A homofobia é triste. O machismo é um atraso e a xenofobia também. E assim sucessivamente.

Venho aqui apresentar – e esculhambar – um outro dos grandes males da humanidade. Um comportamento que não leva ninguém pra lugar nenhum. Com vocês, o certismo.

O certista (ou a certista) é aquele sujeito (ou aquela sujeita) que simplesmente não admite a possibilidade de porventura equivocar-se em alguma posição ou colocação. É a figura que já começa um debate consciente de como ele deve terminar.

Quem adere ao certismo escolhe raciocinar ao contrário.  Primeiro escolhe uma verdade, seja ela qual for, e segue em busca de argumentos que justifiquem essa verdade, seja ela qual for. Na falta ou na escassez desses argumentos, vale-se de desqualificar aqueles ou aquelas que defendem verdades diferentes.

O certista (ou a certista) jamais muda de ideia. E não adianta conversar, dialogar, discutir, esclarecer. Certistas são incapazes de refletir a ponto de mudar seu jeito de pensar ou agir. Se eu estou certo, estou certo. Não interessa se pessoas leram mais sobre determinado assunto, se estudaram mais, se tiveram mais experiências.

Embora possa ser confundido diversas vezes, o certismo não é a mesma coisa que a convicção. Esta  deriva do conhecimento e pode, sim, ser mudada ou mesmo transformada pela evolução do pensamento, da experiência, da descoberta.

Mais que uma necessidade da sociedade, o combate ao certismo é um dever de todos nós.

Ou não.

Ivan Moraes Filho é escrevedor e não tem opinião formada sobre tudo. E as que tem ainda pode mudar.

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